terça-feira, 17 de novembro de 2009

Histórias da vida real ou como se faz um projeto vencedor: parte 2

A maioria dos leitores desse Blog está acostumada com meus poucos textos redigidos em um tom mais acadêmico, como soe ser em um Blog institucional. Mas, como toda e qualquer pessoa, sou feita de carne, de sangue, de nervos e de todos aqueles evanescentes líquidos que sutilmente reelaboram a circulação das descargas de energia em um corpo simplesmente humano.

Mas, por que estou escrevendo isso aqui? Bem, vou logo explicando que é também para deixar o Marcelo tranquilo, pois ele estava preocupado com o fato de seu texto postado logo embaixo desse aqui, estar em um tom meio que “autoral”. O meu, caro coordenador, não vai escapar a esse tom! É que minha “história da vida real” envolvendo o projeto vencedor do Navegatube elaborado pela comunidade da escola Tenoné é fruto desses acasos que a gente está careca de saber que não o são!

Conheci o professor Petrônio Lima depois de muita insistência junto a um amigo comum, o Eduardo Souza, que por sua vez foi aluno de uma ex-aluna minha na UFPA. E o Eduardo caiu na besteira de me dizer que conhecia um professor da SEDUC que era a-pai-xo-na-do por HQs! E que ele havia elaborado o roteiro de uma HQ ainda inédita! Bem, eu não sosseguei até conseguir falar com o Petrônio e ser convidada para ir à escola onde ele trabalha. E aí os não-acasos foram tomando proporções cada vez maiores, pois além do Petrônio, trabalham na escola Tenoné outras pessoas queridas que eu já conhecia dos bancos da UFPA, das reuniões e dos corredores da SEDUC e desse nosso querido NTE-WLBL e que eu aprendi a admirar pelo empenho que sempre demonstram com o ensino público em nosso estado. A Elinelma, a Sandra, a Lídia, a Edileusa e a Juci mal sabiam que cada vez que eu pude entrar em contato com elas, a minha vozinha interior sempre me dizia: “Poxa, seria tão bom se a gente pudesse trabalhar juntas!” E agora lá estavam elas juntamente com uma nova conhecida, a professora Rosângela, dispostas a desafiar novas situações de ensino e de aprendizagem dentro do projeto Educarede Minha Terra 2009 – Aprender a inovar.

A escola Tenoné, caros leitores desse Blog, ainda nem tem telefone instalado! Não tem sala de informática, apesar das peregrinações da prof. Sandra na SEDUC... Mas aceitou sem pestanejar os três grandes desafios que o NTE-WLBL me encarregou de propor-lhe inicialmente: participar do projeto Educarede 2009, começar a pensar sua apropriação das TICs mesmo sem ter Sala de informática na escola e elaborar um pequeno vídeo para concorrer aos prêmios do Navegatube.

A temática tanto do projeto como do vídeo (“Caminhos da Cultura no Tenoné”) inspirou-se em uma constatação dramática: os alunos da escola – assim como grande parte dos moradores do Tenoné –, desconheciam as manifestações e os produtores culturais do local onde moram e, mais do que isso, não percebiam os problemas do bairro, a partir da necessidade urgente de melhor fincar suas “raízes” no Tenoné, e assim, driblar os efeitos do remanejamento territorial que transplantou-os até ali.

A partir daí – tendo como horizonte o projeto Educarede –, vários obstáculos à elaboração das atividades transformaram-se em desafios. Muitos alunos voltaram a frequentar as aulas do EJA – 4ª etapa noturno!; os professores ofertaram oficinas (jornal e vídeo) para sistematizar a produção dos alunos e fazer com que na elaboração de seus produtos (inclusive do vídeo vencedor do Navegatube) fossem contemplados inicialmente os objetos de ensino das disciplinas Língua portuguesa, História e Geografia.

Nesses últimos três meses, em visita à escola Tenoné observei que não só essas questões de apreensão e reelaboração dos conteúdos curriculares estava sendo contemplada pelo projeto e pela filmagem. Saberes atitudinais, tão importantes de serem gestados e/ou reforçados na escola inscreviam-se quase que espontaneamente no dia a dia do projeto, como por exemplo durante o planejamento do roteiro do filme, no decorrer de sua filmagem e edição, bem como na hora de decidir quem inscreveria o projeto no concurso Navegatube. Reparem, caros leitores dessa postagem, como isso emerge em várias tomadas do filme vencedor, não só do primeiro concurso de vídeos do Navegatube, como também campeão em desafiar nossos limites de professores sinceramente comprometidos com a excelência da educação pública em nosso estado.

Gosto muito do que faço e tenho absoluta fé na educação pública. A fé dos loucos, das crianças, dos apaixonados, daqueles que no limiar da vida não duvidam em nenhum momento que a esperança, posto que supra-sumo do amor, nunca perece. E, aposto uma sacolona de “cotites” que não estou sozinha nessas minhas querências, não é mesmo queridas e queridos da escola Tenoné?

Postado por: Rosistela Oliveira

NTE-WLBL (Belém)


2 comentários:

NTE disse...

Olá Rosistela, seu texto ficou ótimo e colocou as coisas no seu devido lugar. Parabéns pela emoção e por aceitar o desafio de assessorar uma escola que pelos padrões normais não teria nenhuma chance de participar do Projeto Educarede ou mesmo do NAVEGATUBE, pois não tem Sala de Informática Educativa.
E quem disse que nós nos atemos aos padrões normais?

Marcelo Carvalho

NTE BELÉM 2 disse...

Olá, Minha querida!! Seu texto traz a paixão, a emoção, a entrega e a leveza de quem luta com flores. Essa história prova que somos cabanos!! Com tds as adversidades da escola, eles não poderiam ter ninguém menos do que você para os assessorar. Deus é incrível!! Você sabe bem do que estou falando.
Mil bjs de quem lhe admira e, a partir de agora, também é sua fã.